Uma vez em sala de aula, o Professor Eliseu Ribeiro nos falou sobre este caso, achei bastante interessante por ressaltar a hipocrisia existente nas cancelas da justiça, e agora quero dividir com todos (a).
Espero que sirva para uma reflexão de valores!!!
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AS
SANDÁLIAS DA HUMILDADE
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Olinto Vieira
Advogado e Assessor Jurídico
Advogado e Assessor Jurídico
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Há alguns dias atrás, um juiz de Direito do Paraná , da 3ª Vara do
Trabalho de Cascavel, cancelou uma audiência porque o reclamante, um
trabalhador rural, estava calçando uma sandália de dedos. Para o
juiz, o trabalhador estava atentando contra a “dignidade da Justiça”. Vale
transcrever o que o magistrado mandou escrever na ata da audiência: “O juiz
deixa registrado que não irá realizar esta audiência, tendo em vista que o
reclamante compareceu em Juízo trajando chinelo de dedos, calçado
incompatível com a dignidade do Poder Judiciário”. É interessante esse nosso
País! Tem tanta gente vivendo em um mundo de ilusão, presos em salas
frias com portas e janelas fechadas, isolados da vida real, sem saber como
funciona o mundo lá fora, vivendo em um mundinho pequeno, feito de
mediocridade e arrogância. Existem pessoas que não imaginam quais são os
mínimos anseios de um homem simples do povo, seja ele urbano ou rural, mas
tem o poder de decidir a respeito dos destinos daquela vida. O Brasil inteiro
( e o mundo) viu, anteontem, uma meia dúzia de “filhinhos de papai”,
moradores de condomínios fechados no Rio de Janeiro, espancarem brutalmente
uma empregada doméstica que estava em um ponto de ônibus, indo para o
trabalho. Ainda tiveram a audácia de dizer que só fizeram aquilo porque a
confundiram com uma prostituta, como se isso fosse uma justificativa
plausível. Todos os cinco rapazes são filhos de pais abastados
financeiramente e fazem curso superior. Como será que irão exercer a
profissão depois de formados, se continuarem com a mentalidade imbecilizada
que tem hoje? Somente a falta de experiência de vida, ou mesmo a falta de bom
senso é que faz pessoas como o tal juiz imaginar que um homem calçando
chinelos ofende a Justiça. O que ofende a Justiça é a soberba, a vaidade, a
falta de limites, o desrespeito, a falta de coragem para decidir coisas
grandes e pequenas. Uma das coisas mais perigosas que existe é colocar gente
despreparada e inexperiente para decidir questões complexas a respeito da
vida. Não estou com isso dizendo que inexperiência tem a ver com idade, nada
a ver. Inexperiência tem a ver com o egoísmo de não querer perceber o mundo
em que se vive. Esse nosso Brasil precisa de pessoas que saibam entender a
linguagem do povo, que saibam se fazer entender por todos, sem distinção. O
paradoxo foi vivido por mim, semana passada, em uma longa audiência aqui em
Parauapebas, onde um Juiz deu uma aula de bom senso, paciência,
humildade e vontade de resolver situações difíceis. Enquanto aquele juiz do Paraná
ficou tristemente “famoso” no Brasil inteiro por ter aprontado uma
besteira sem tamanho, os feitos nobres de pessoas anônimas ficam sem
holofotes, mas nem por isso são menos importantes.
Observação: O Juiz de Parauapebas, a quem se refere o ilustre
Advogado e Assessor Jurídico, é o Dr. Cristiano Magalhães Gomes, Membro
do Tribunal de Justiça do Estado do Pará que honra o site www.soleis.adv.br com a sua colaboração.
29.06.2007 |
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Fonte: Publicado no "Carajás O
Jornal" e remetido por e-mail
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